Há alguns anos, analistas acreditavam que startups não atingiriam valor de mercado de 1 bilhão de dólares. Aí, uma ou outra começaram a criar porte e atravessar a marca, e passaram a ser chamadas de unicórnios (em alusão aos seres míticos dos quais não se tinha prova de existência). Hoje, a Fortune lista 174 unicórnios , o CB Insights lista 157 unicórnios, o VentureBeat lista 229 unicórnios, CrunchBase/Techcrunch listam 162. De qualquer forma, independentemente da quantidade, é inegável que tais startups míticas existem. Entretanto, devido a controvérsias atreladas aos objetivos, métodos e consequências de precificações tão elevadas, o MarketWatch analisou um declínio do interesse por unicórnios em fevereiro – e 90% das startups unicórnios estão em perigo, diz um dos primeiros investidores do Facebook.

Os investidores de capital empreendedor passaram a buscar um tipo de ser bem menos fofinho. O animal que apelida as startups preferidas atualmente são geralmente repulsivos: baratas! Isso mesmo: de acordo com o Business Insider, o bicho startupeiro da vez são as cucarachas, cockroaches. Insetos que rastejam e, para desespero ainda maior de muita gente, chegam a voar! Mas não é pela repulsa, pelo rastejo ou pelo vôo que as startups-baratas atraem interesse. Por serem baratas, ao contrário de caras? Boa tentativa, mas não é por isso.

O que uma barata tem de mais precioso? Especialmente no que diz respeito a startups imersas em incertezas? Os insetos baratas sobrevivem em condições realmente muito difíceis. Resiliência é seu esporte diário. Enquanto uma startup unicórnio foca em crescer, crescer, crescer, uma startup cucaracha foca em sobreviver à economia e ao mercado, mantendo controle sobre receitas, lucros e o fluxo de caixa de uma maneira geral. Para as baratas, o importante é sobreviver às condições climáticas – o que fazem muito bem, minimizando o risco do negócio e do investimento. Afinal, é necessário sobreviver para “lutar mais um dia”, fazer qualquer ajuste que tenha de ser feito (e não é o crescimento que dá essas condições).

Em setembro de 2015, uma fundadora do Flickr já tinha escrito sobre startups em um artigo chamado de A Era das Baratas. Em fevereiro deste ano, o CEO do Mixpanel já dizia que o principal desafio da empresa era aprender a sobreviver como uma barata. Talvez o conceito de uma barata se assemelhe menos a uma startup e mais a um “negócio comum”, que no Brasil já é pejorativamente conhecido como “lifestyle business”.

Não recolhi este monte de links para dizer como tudo vai ser daqui pra frente, nem cagar regra, nem julgar o que é melhor ou quem está fazendo direito. Só quero avisar que, ao sair galopando seu bem-alimentado ego bilionário imaginário por aí, cuide para não pisar nas baratas. Não que isso faça diferença pela sensibilidade delas: faz diferença pela sua sensibilidade.

Abjs.!

Advertisements